segunda-feira, 13 de setembro de 2010
É preciso viver!
Eu quero um barco a remo, uma torta de limão, uma ferrari...um sorriso...não, não...deixe me ver...querooo...droga...não sei! Uma transa...não...sim...quero andar pelo Orsay...espere...ainda não. Decide, decide porra!Um mergulho no mar...um churrasco com os amigos. Não, melhor, uma noite regada à vinho chileno...uma namorada...talvez esposa...hum...uma amante. Não, não, eu quero... uma viagem bem longa. Pra onde? Merda...Paris. Não. Vilhena. Não. Melhor. Uma volta de bicicleta por Campinas. Besteira. Eu quero...como é difícil...quero correr, simplismente correr até não aguentar mais. Isso...não...já sei, prefiro gritar, gritar até perder a voz. Não. Um livro. Qual? O mundo de Sofia. O pequeno príncipe. Ensaio sobre a cegueira. Esquece, desisto. Ir ao banheiro, já volto. Um mundo melhor! Muito díficil. Um ser humano melhor! Impossível. Pensa...pensa...ahh...eu quero minha mãe, seu colo, carinho, olhar repreensivo...não...um poema do Drummond, arroz com feijão da minha vó...é...não! Cachaça Nega Fulô....da boa...não..um banho quente. Não. Decidi. Quero muito conhecimento. Uma filha chamada Maria...não...Antônia. Levá-la à escola, vê-la crescer...não...quero ser piloto de avião, pintor, boêmio é melhor. E agora José? Não sei. Aprender francês. Não. Árabe. Chinês. Nem é hein. Passar uns dias em Mantes la Jolie e ficar sentado em frente à Collégiale. Escrever um livro...é isso que eu quero. Talvez. Uma boa noite de sono...um suco de laranja bem gelado sem açucar. Não. Um porre...mas bem chapado e ficar cantando a noite toda e falando besteira pelos cotovelos, contando histórias da minha infância, rindo muito com a nostalgia, me amargurando pelas coisas que eu não fiz, que não falei, que não senti. Melhor, mas bem melhor, quero fazer um gol aos 47 do segundo tempo numa final de campeonato e socar o ar. Não, não...tantas coisas. Sim...minha infância de volta, o primeiro dia no SESI, bets na Rua Vera Cruz e depois corrida de rolemã...é isso! Será? Não. Já sei...ver a Ponte Preta campeã, invadir o Majestoso e depois um porre pela Avenida Glicério. Não, melhor...sair andando pelo mundo, atravessar os 5 continentes, ver o diferente, surprender os olhos, confundir o paladar e fazer vibrar o coração. Sim! Andar descalço, jogar uma bola no Parque dos Garantãs...chamar meu Pai de cabeçudo e odiar meu irmão mesmo sendo mentira. Não, quero conhecer alguém tão bem que apenas um olhar seja suficiente para desvendá-la naquele segundo. Chorar, rir, me arrepiar, me indignar com a política e com a vida...quero viver.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Olhe, descubra, viva.
Foto para o Concurso ArtMob 2010 da Prefeitura de Campinas. "Cidade e Circulação": Conhecer e valorizar a cidade pela re-significação dos patrimônios históricos, artísticos e culturais, parques, praças e jardins a partir do olhar que o trajeto a pé possibilita no relacionamento entre o ambiente urbano, rural e seus cidadãos.
domingo, 22 de agosto de 2010
Morrer é necessário
´Morremos milhares de vezes durante nossa vida. Morremos quando terminamos um namoro, ao perder alguém ou quando não conquistamos algo que desejávamos muito´. Se me lembro bem, foram essas as palavras do meu professor de História da Arte. Bem que se diga, uma das poucas coisas que se vale realmente estudar na graduação.
Mas em verdade, tememos tanto a morte que não nos damos conta que cada indíviduo, cada vida em si é uma sucessão contínua de mortes e renascimentos. Esse, felizmente, é o percurso natural que nos guia, pois, do contrário, na primeira porrada que a vida nos desse o chão seria eterno. Todavia, a estupidez humana caminha de mãos dadas com sua capacidade de regeneração e superação. Temos a infinita capacidade de cometer as maiores burrices no menor espaço de tempo possível, embora o relógio da esperança, da reconquista e de se colocar de pé com nobreza seja uma característica tão humana quanto amar.
As palavras do meu professor são verdadeiras. Ao perder alguém, ao falhar em algo muito importante, o tempo parece simplismente parar, a gravidade atuando com toda sua força sobre o corpo, pois ficar deitado ou cabisbaixo é um dos poucos movimentos possíveis, sem apetite, sede, vegetando e enfim morte da alma.
Naquele mesmo milésimo seguinte ao sepultamento, o coração volta a pulsar, sente-se o sol, o apetite recuperado, os olhos iniciam novamente sua trajetória em busca do novo, do inesperado, de algo que nos surprendam e nos faça querer viver mais. Renascemos. Todavia, renascemos diferentes, fortalecidos, pois só a tristeza, a dor, o amargo da derrota e da perda nos ensina. Corta mas cicatriza, nos fazendo olhar a nossa volta com mais sabedoria e, sobretudo, paciência. A jornada é assim, se cai e se levanta, se apanha mas se bate também. A felicidade só existe porque a tristeza existe, assim como o orgasmo e a dor, a Ponte Preta e o Guarani, a luz e a escuridão...o mundo é uma oposição constante e infinita. Buscamos a felicidade constante, ao extremo, sem limites, mas se isso fosse possível não haveria graça na vida, não aprenderíamos com os erros, não haveria a gana pelo desafio e superação. Em suma, a vida seria uma merda, como uma novela das 9 que você sabe como começa e termina. Que bom que não é assim.
Mas em verdade, tememos tanto a morte que não nos damos conta que cada indíviduo, cada vida em si é uma sucessão contínua de mortes e renascimentos. Esse, felizmente, é o percurso natural que nos guia, pois, do contrário, na primeira porrada que a vida nos desse o chão seria eterno. Todavia, a estupidez humana caminha de mãos dadas com sua capacidade de regeneração e superação. Temos a infinita capacidade de cometer as maiores burrices no menor espaço de tempo possível, embora o relógio da esperança, da reconquista e de se colocar de pé com nobreza seja uma característica tão humana quanto amar.
As palavras do meu professor são verdadeiras. Ao perder alguém, ao falhar em algo muito importante, o tempo parece simplismente parar, a gravidade atuando com toda sua força sobre o corpo, pois ficar deitado ou cabisbaixo é um dos poucos movimentos possíveis, sem apetite, sede, vegetando e enfim morte da alma.
Naquele mesmo milésimo seguinte ao sepultamento, o coração volta a pulsar, sente-se o sol, o apetite recuperado, os olhos iniciam novamente sua trajetória em busca do novo, do inesperado, de algo que nos surprendam e nos faça querer viver mais. Renascemos. Todavia, renascemos diferentes, fortalecidos, pois só a tristeza, a dor, o amargo da derrota e da perda nos ensina. Corta mas cicatriza, nos fazendo olhar a nossa volta com mais sabedoria e, sobretudo, paciência. A jornada é assim, se cai e se levanta, se apanha mas se bate também. A felicidade só existe porque a tristeza existe, assim como o orgasmo e a dor, a Ponte Preta e o Guarani, a luz e a escuridão...o mundo é uma oposição constante e infinita. Buscamos a felicidade constante, ao extremo, sem limites, mas se isso fosse possível não haveria graça na vida, não aprenderíamos com os erros, não haveria a gana pelo desafio e superação. Em suma, a vida seria uma merda, como uma novela das 9 que você sabe como começa e termina. Que bom que não é assim.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
sábado, 7 de agosto de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
Shakespeare
Somos engraçados, quando estamos a viver algo bom, feliz, raro quase sempre não nos damos conta. Aquele dia ou usulamente aquela noite, aquele olhar, um sorriso, um filme, um gesto, uma viagem ou uma pessoa interessante, diferente e com a qual o tempo simplismente deixa de existir.
Todavia, horas, dias ou anos depois daquele instante único nos sentimos vazios, impotentes, infelizes por não termos o poder de voltar no tempo e vivê-lo com mais gana, observando com mais serenidade cada detalhe, com mais sutileza cada toque, ouvir todas as palavras e buscar compreender cada significado e intensão.
Neste instante de intensa nostalgia nos martirizamos, nos culpamos, buscando motivos pelo fracasso, por não termos vivido com mais humanidade, com mais sentimento, com mais corpo e, sobretudo, com mais alma. No desespero, nos perguntamos se aquilo realmente existiu e por uma resposta confortadora à infelicidade e amarga saudade fantasiamos que aquele ponto alto de nossas vidas simplismente não existiu, que fora obra da nossa imaginação ou um sonho bom. O real é irreal. Dessa forma, o agora torna-se mais palatável, embora, sem sal.
Shakespeare tinha razão ''Ser ou não ser, eis a questão'', ou seja, hoje estamos por aqui e amanhã poderemos não estar.
Todavia, horas, dias ou anos depois daquele instante único nos sentimos vazios, impotentes, infelizes por não termos o poder de voltar no tempo e vivê-lo com mais gana, observando com mais serenidade cada detalhe, com mais sutileza cada toque, ouvir todas as palavras e buscar compreender cada significado e intensão.
Neste instante de intensa nostalgia nos martirizamos, nos culpamos, buscando motivos pelo fracasso, por não termos vivido com mais humanidade, com mais sentimento, com mais corpo e, sobretudo, com mais alma. No desespero, nos perguntamos se aquilo realmente existiu e por uma resposta confortadora à infelicidade e amarga saudade fantasiamos que aquele ponto alto de nossas vidas simplismente não existiu, que fora obra da nossa imaginação ou um sonho bom. O real é irreal. Dessa forma, o agora torna-se mais palatável, embora, sem sal.
Shakespeare tinha razão ''Ser ou não ser, eis a questão'', ou seja, hoje estamos por aqui e amanhã poderemos não estar.
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