15 DE SETEMBRO DE 2011 ÀS 1H19 – SEM SONO!
Não consigo dormir. Acho que é a porcaria do fuso horário de 5 horas entre o Brasil e a França nessa época do ano. Mas o problema é que o cansaço da viagem deveria já ter me apagado há muito tempo. Analise comigo: De Campinas à São Paulo foram um ônibus de 2 horas; um avião de São Paulo à Amsterdam de pouco mais de 12 horas na classe econômica, onde você não encontra uma, eu disse UMA posição, para o peão dormir; uma conexão entre Amsterdam e Lyon de 1 hora meia; outro ônibus de 1 hora do aeroporto St. Exupéry em Lyon para a Gare Routière de Grenoble; e não suficiente para qualquer corpo, mais 1 hora para achar qual linha do Tramway (aquele bondinhos elétricos modernos) correto da Gare até o meu alojamento, que nesse caso era a linha B com parada na "arrête" ST-Martin-D´HÈRES/Les Taillés-Universités e, por fim, depois de algumas perguntas para alguns cadeirantes na rua, encontrei a Résidence Universitaire Ouest, minha nova casa pelos próximos 9 meses à frente. Total de kilômetros rodados foi de 10.805 Km. Tudo isso puxando uma mala de...sei lá...40 Kg; carregando o Backpack de 70 litros – que estava mais pesado do que deveria porque minha mãe havia colocado uma coberta gigantesca sem eu perceber – ; mais uma mochila na frente com todos os meus documentos, dinheiro e afins...ou seja, não tinha um cidadão na rua que não me olhasse. Não que isso não fosse comum ali, pois se trata de uma cidade universitária, o que mais tem são pessoas chegando e indo embora, mas que deveria estar engraçado ou pelo menos merecedor de pena era óbvio. Bem...como disse uma vez um amigo meu, o Varty, que me emprestou o Backpack, após de 5 meses na Nova Zelândia e inúmeros “perrengues” vividos: “O que é ruim de passar é bom de contar”. Nem me fale!
Não que eu não esteja feliz, embora imbuído com um sentimento incomum. Não saberia definí-lo. É um misto de saudade de casa, solidão e com o não saber onde tudo isso vai dar. Realmente sinto que esse é o caminho certo, embora completament incerto.
Gosto de estudar, buscar entender como funcionam as ordens das coisas e, por fim, tentar encontrar os caminhos e possíveis soluções para os problemas que aí estão. Em verdade, seria bem mais fácil ser menos idealista, romântico com a vida e ser mais pragmático, sabe?! Ter um trabalho de oito horas de sgunda à sexta-feira, academia, shopping aos finais de semana e uma viagem de 7 dias por ano pela CVC. Um círculo fechado, simples, previsível e “catracalisado”. Mas isso seria um fim em si mesmo, sem objetividade que limita o ato de sonhar. E isso não é humano. Eu quero mais...mais complexidade, mais do deleite de se surpreender com qualquer coisa diariamente, mais liberdade. Ou pelo menos tentar algo diferente antes de tudo isso. Como bem disse uma vez Clarice Lispector “Liberdade é pouco, o que eu desejo ainda não tem nome”. É bem por aí!
